RG Philosophy and Public Space/ Institute of Philosophy of the University of Porto - UI&D/FIL/00502

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2019-2020 CICLO INTERNACIONAL DE CONFERÊNCIAS 
2019-2020 INTERNATIONAL CYCLE OF LECTURES 
O DIREITO À CIDADE
Diálogos Interdisciplinares
 
THE RIGHT TO THE CITY
Interdisciplinary Dialogues
Apresentação | Presentation

2019-2020 CICLO INTERNACIONAL DE CONFERÊNCIAS

 

2019-2020 INTERNATIONAL CYCLE OF LECTURES

Num mundo cada vez mais urbano, a cidade é um espaço singular para aferir a visibilidade e a relevância dos problemas provocados pelas rápidas transformações sociais, económicas, tecnológicas, culturais e políticas. Apropriada pela dinâmica neoliberal, a cidade apresenta-se fragmentada, para lá da pluralidade que a constitui, podendo comprometer a coesão social e obrigando a considerar outros modos de participação cívica. 

 

Decorrido meio século desde a publicação de Le Droit à la ville, de Henri Lefebvre, as reivindicações pela recuperação qualitativa da vida urbana, geradas pelo aprofundamento das contradições do modelo da sociedade capitalista, alcançam um especial protagonismo no âmbito da defesa do direito à cidade. A disposição espacial da produção e da riqueza, as privatizações, a vigilância biopolítica, os fluxos migratórios e a mobilidade, a urbanização generalizada, o turismo e a gentrificação, as alterações climáticas, a pobreza, a habitação e a gestão tecnocrática são alguns fenómenos com um significativo impacto no quadro das representações e das dinâmicas políticas e sociais contemporâneas, induzindo-nos a reequacionar as figuras da urbanidade.

Procura-se, assim, com esta iniciativa, pensar a cidade – lugar privilegiado da edificação do comum na diversidade material e imaterial que lhe é própria – pela cooperação de diferentes abordagens disciplinares que podem contribuir para a reflexão contemporânea em torno da multiplicidade dos fenómenos que metamorfoseiam os espaços e das tensões neles vividas.

In an increasingly urban world, the city is a unique space to gauge the visibility and relevance of the problems brought about by rapid social, economic, technological, cultural and political change. Appropriated by neoliberal dynamics, the city has become fragmented far beyond its constituent pluralism. Social cohesion may thus be compromised, forcing us to consider other modes of civic participation.

 

Half a century after Henri Lefebvre's Le Droit à la Ville was published, the demand for the qualitative recovery of urban life, generated by the growing contradictions of the capitalist society, has come to play a special role in the right to the city. The spatial arrangement of production and wealth, privatisations, bio-political surveillance, migration flows and mobility, widespread urbanisation, tourism and gentrification, climate change, poverty, housing and technocratic management are some of the phenomena that have impacted significantly on contemporary social representations and political dynamics, leading us to rethink the figures of urbanity.

Thus, the aim of this initiative is to think of the city – a privileged place to build the common in all its material and immaterial diversity – through cooperation among different disciplinary approaches that can contribute to contemporary reflection on the multiplicity of phenomena that transform the spaces and the tensions experienced within them.

RG Philosophy and Public Space/ Institute of Philosophy of the University of Porto - UI&D/FIL/00502

 

Conferencistas | Lecturers

Já confirmados: | Already confirmed:

Segunda-feira, 14 outubro | Monday, 14th October 2019

Sharon Meagher

Vice President for Academic Affairs, Dean of the Faculty, and  Professor of Philosophy at Marymount Manhattan College, New York, NY, USA.
Co-founder and co-chair of the Public Philosophy Network.

A philosopher by training, Meagher has focused on philosophy of the city, university social responsibility, and global development and sustainability projects.  She is the author of articles on philosophy of the city, urban geography, feminist theory and practice, and ethics and edited the first reader on philosophy of the city.  Her edited volumes include: Handbook on Philosophy and the City, London:  Routledge, 2020, co-edited with Joseph Biehl and Samantha Noll; Philosophy and the City: Classic to Contemporary Writings, State University of New York Press, 2008; Women and Children First: Feminism, Rhetoric, and Public Policy, ed., State University of New York Press, 2005.

In her scholarly work, her teaching, and in her administrative roles, Meagher has been an advocate for the support and inclusion of students and faculty from under-represented groups.  Her research and teaching on philosophy of the city has focused on social justice issues, including understanding the disparate impacts of globalization and various social and economic urban policies on various populations.  An expert on place-based education, Meagher’s focus has been on the ways that we must be attentive to difference and inclusion in community-based teaching and service.  Her work on creative placemaking projects have focused on building community and conditions for civil discourse through the arts.  She also has engaged in consulting and faculty development work on inclusion and feminist pedagogy both in the U.S. and in Rwanda.

Prior to serving in her current role, Meagher served as the Dean of the College of Arts & Sciences and Professor of Humanities at Widener University in Chester, Pennsylvania, USA, 2014-2017. She began her career at The University of Scranton (Pennsylvania, USA), serving in her last seven years there as Professor of Philosophy and Chair of the Department of Latin American Studies.

Filósofa de formação, Meagher interessa-se pela filosofia da cidade, pela responsabilidade social da universidade e por projetos globais de desenvolvimento e sustentabilidade. É autora de artigos sobre filosofia da cidade, geografia urbana, teoria e prática feministas e ética e editou a primeira antologia sobre filosofia da cidade. Os seus volumes editados incluem: Handbook on Philosophy and the City, Londres: Routledge, 2020, coeditado com Joseph Biehl e Samantha Noll; Philosophy and the City: Classic to Contemporary Writings, State University of New York Press, 2008; Women and Children First: Feminism, Rhetoric, and Public Policy, ed., State University of New York Press, 2005.  

No seu trabalho académico, docente e administrativo, Meagher tem sido uma defensora do apoio e da inclusão de estudantes e professores de grupos sub-representados. A sua investigação e ensino da filosofia da cidade concentram-se em questões de justiça social, incluindo a compreensão dos impactos díspares que a globalização e as várias políticas urbanas sociais e económicas têm em várias populações. Especialista em educação em contexto local, Sharon Meagher centra-se nas formas como devemos todos estar atentos às diferenças e à inclusão no ensino e serviços à comunidade. O seu trabalho em projetos de criação e organização de espaços remete para a construção de comunidades e de condições para um discurso civil através das artes. Também se envolve em trabalhos de consultoria e de desenvolvimento de pessoal docente para a inclusão e pedagogia feminista nos EUA e no Ruanda.

Antes de ocupar o seu cargo atual, Meagher desempenhou funções como Diretora da Faculdade de Artes e Ciências e Professora de Ciências Humanas na Widener University em Chester, Pensilvânia, EUA, 2014-2017. Iniciou a sua carreira na Universidade de Scranton (Pensilvânia, EUA), e nos últimos sete anos que aí leccionou foi Professora de Filosofia e Presidente do Departamento de Estudos Latino-Americanos.

Segunda-feira, 18 novembro | Monday, 18th November 2019

 

Rubén Lois 

Professor Catedrático de Geografia e Diretor do Departamento de Geografia na Universidade de Santiago de Compostela.

Membro da direção da Associação de Geógrafos de Espanha e Vice-presidente da União Geográfica Internacional.
 

Rubén Lois nasceu em 1961 e é natural de Palas de Rei (Lugo, Galiza). Professor Catedrático de Geografia e Diretor do Departamento de Geografia na Universidade de Santiago de Compostela. Membro da direção da Associação de Geógrafos de Espanha e Vice-presidente da União Geográfica Internacional. Foi diretor da Fundação CEER (2013-2017), presidida pelos reitores da universidades de Norte de Portugal e Galiza e Secretário Geral do Turismo do Governo da Galiza.

Coordenou e participou em dezenas de projetos de investigação internacionais. Dirigiu:

- Economic Instruments for territorial administration of the local development in Senegal, Cape Verde and Mali, in the call PCI, funded by the Spanish Agency for Development Cooperation (AECI) (2011-2012).

- System of indicators for the analysis of urban dynamics in Spain at the beginning of XXI century [URBMETRO21]. CSO2010-16298. Ministry of Science and Education, Ministry of Research, Directorate General for Research and Management of National R + D + i; Directorate General of Projects and Research.

- SIESTA (Spatial Indicators for a Territorial Analysis Europe 2020 Strategy) initiative within the ESPON Programme 2013 (The European Observation Network on Territorial Development and Cohesion).

É autor, co-autor ou organizador de cerca de 300 artigos, livros e partes de livros sobre temas geográfico diversos, sendo considerado especialista nos domínios da geografia urbana, regional, económica e cultural.

Rubén Lois was born in 1961 in Palas de Rei (Lugo, Galicia). Professor in Geography and Director of the Department of Geography at the University of Santiago de Compostela. Board member of the Association of Geographers of Spain and Vice-President of the International Geographical Union. He was director of the Fundação CEER [CEER Foundation] (2013-2017), chaired by the rectors of the universities of Northern Portugal and Galicia, and Secretary General of Tourism of the Government of Galicia.

He has coordinated and participated in dozens of international research projects, having led:

- Economic Instruments for territorial administration of the local development in Senegal, Cape Verde and Mali, in the call PCI, funded by the Spanish Agency for Development Cooperation (AECI) (2011-2012).

- System of indicators for the analysis of urban dynamics in Spain at the beginning of XXI century [URBMETRO21]. CSO2010-16298. Ministry of Science and Education, Ministry of Research, Directorate General for Research and Management of National R + D + i; Directorate General of Projects and Research.

- SIESTA (Spatial Indicators for a Territorial Analysis Europe 2020 Strategy) initiative within the ESPON Programme 2013 (The European Observation Network on Territorial Development and Cohesion).

He is the author, co-author or organizer of some 300 articles, books and parts of books on diverse geographical subjects, and is considered an expert in the fields of urban, regional, economic and cultural geography.

Segunda-feira, 09 dezembro | Monday, 09th December 2019

Manuel Correia Fernandes

Arquiteto.

Professor Catedrático, Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.

Vereador do Urbanismo da Câmara Municipal do Porto entre 2013 e 2017.

Manuel C. Fernandes nasceu em 1941. Licenciou-se em Arquitetura pela ESBAP em 1966, onde inicia a carreira docente em 1972. Foi membro e presidente eleito dos Conselhos Directivo, Científico e Pedagógico e da Assembleia de Representantes da ESBAP e da FAUP e da Assembleia e do Senado da UP. Foi Director do Curso de Mestrado MIPA da FAUP e Professor de cursos de Mestrado e Pós-graduação da FEUP e da FEP e dos Cursos de Verão da AURN. Foi Presidente da Assembleia Geral, do Conselho de Disciplina e do Congresso da Ordem dos Arquitectos e dirigente da Associação dos Arquitectos Portugueses. Membro do Conselho Editorial da Editora da UP e da FA-UTL. Autor de trabalhos publicados em livros, revistas e jornais da especialidade e colaborador regular da imprensa diária. Foi membro da Comissão Executiva do Conselho de Administração da Porto 2001. Nomeado para o Prémio de Arquitectura na III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian de 1986 e para o Prémio Secil em 1992. Prémio Nacional de Arquitectura da AAP em 1987. Prémio Nacional do Prémio INH em 1993 e 2003 e Menção Honrosa em 2002. Prémio Extraordinário Belaunde Terry da IV Bienal Ibero-Americana de Arquitectura em 2004 (Lima/Perú). Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública (2005).

Exerce, no Porto e ininterruptamente desde 1966, a profissão de arquitecto em regime livre.

Vereador da Câmara Municipal do Porto entre 2009 e 2017 (tendo exercido as funções de Vereador do Urbanismo entre 2013 e 2017).

Manuel C. Fernandes was born in 1941 and obtained a degree in architecture from College of Fine Arts of Porto (ESBAP) in 1966, where he began his teaching career in 1972. He was a member and elected president of the Board of Directors, the Scientific and Pedagogical Councils and the Assembly of Representatives at both ESBAP and FAUP, and an elected member of the University of Porto’s General Assembly and Senate. He was Director of the MIPA Masters Course at FAUP and lecturer of Masters and Postgraduate courses at the Faculties of Engineering (FEUP) and of Economics (FEP) of University of Porto, as well as of the AURN Summer Courses (Association of North Region Universities). He was President of the General Assembly, the Disciplinary Council and the Congress of the Order of Architects and director of the Portuguese Architects Association. He is a member of the Editorial Board of the University of Porto’s and the Faculty of Architecture University of Lisbon’s (FA-UTL) Publishing Houses. He is the author of works published in books, magazines and journals and regular contributor to the daily press. He was a member of the Executive Committee of the Board of Directors of Porto 2001 (European Capital of Culture). He was nominated for the Architecture Prize at the Calouste Gulbenkian Foundation's III Fine Arts Exhibition in 1986 and the Secil Prize in 1992. He was awarded the AAP National Architecture Prize in 1987. He was awarded the INH National Prize in 1993 and 2003 and received an Honourable Mention in 2002. He was awarded the Belaunde Terry Extraordinary Prize at the IV Iberian-American Architecture Biennial in 2004 (Lima / Peru). He is a Grand Officer of the Order of Public Instruction (2005).

He has been working in Porto as an independent architect since 1966.

He was City Councillor of Porto between 2009 and 2017 (having served as Urbanism Councillor between 2013 and 2017).

Programa | Program

Segunda-feira, 14 outubro | Monday,14th October 2019 | 18h30

Sharon Meagher

CITIES WITHOUT INHABITANTS AND THE ERASURE OF THE RIGHT TO THE CITY | CIDADES SEM HABITANTES E A DISSOLUÇÃO DO DIREITO À CIDADE

In this talk, I will examine the contemporary phenomenon of cities being built speculatively in the hopes of attracting global capital in the race to achieve global city status.  Not all cities achieve global city status, and the result are cities that remain largely empty of inhabitants.  Unlike “ghost towns” that were once lively with inhabitants and then abandoned, these new “ghost cities,” were never inhabited, as the infrastructure (especially iconic skyscrapers) were built at a scale that far exceeded the number of inhabitants.  I will discuss three cases:  Doha, Qatar, Kigali, Rwanda, and New York’s new “city within a city” Hudson Yards.  What happens to claims to the right to the city if there are few inhabitants to claim it? I argue that the dire effects of global cities—particularly these ghost cities—including rising inequalities, dislocations of peoples, growing environmental hazards --demand that philosophers pay attention to what is happening on the ground.  And in doing so, we philosophers might both transform our thinking about philosophical methodology and key concepts while also finding better ways to locate and stop social injustices and enable urban dwellers to claim and realize their rights to the city.

Moderação | Moderation

PAULA CRISTINA PEREIRA, Instituto de Filosofia/FLUP | Institute of Philosophy/ Faculty of Arts and Humanities, University of Porto

Nesta comunicação, procurarei explorar o fenómeno contemporâneo das cidades construídas especulativamente, na esperança de atraírem capital global na corrida para alcançarem o estatuto de cidade global. Nem todas as cidades alcançam o estatuto de cidade global e daqui resultam cidades que permanecem praticamente vazias de habitantes. Ao contrário das “cidades fantasma”, que foram outrora vibrantes e cheias de vida, mas que agora estão desertas e abandonadas, estas novas “cidades fantasma” nunca foram habitadas, pois as suas infraestruturas (especialmente os icónicos arranha-céus) foram construídas a uma escala que excedia em muito o número de residentes. Discutirei três casos: Doha no Qatar, Kigali no Ruanda, e a nova "cidade dentro da cidade" de Nova Iorque, Hudson Yards. O que acontece às reivindicações do direito à cidade se houver poucos habitantes para o reivindicar? O que aqui proponho discutir é que os efeitos terríveis das cidades globais, particularmente dessas cidades fantasma – que incluem as desigualdades crescentes, os deslocamentos de povos e maiores riscos ambientais – exigem aos filósofos que prestem atenção ao que está a acontecer no terreno. E, ao fazer isso, nós filósofos podemos transformar o nosso modo de pensar sobre a metodologia filosófica e os principais conceitos, ao mesmo tempo que descobrimos meios mais adequados de identificação e supressão de injustiças sociais, de modo a permitir que os residentes urbanos possam reivindicar e realizar os seus direitos à cidade.

Segunda-feira, 18 novembro | Monday,18th November 2019 | 21h00

Rubén Lois

A CIDADE PARA TODOS | THE CITY FOR ALL

When the French thinker Henri Lefebvre wrote The Right to the City, he was advocating the need to preserve spaces for social life and citizenship in urban settings, so as to defy the dehumanization that both architectural functionalism and real estate speculation had entailed. Today, this simple demand for a humanized design of the city and the metropolises still needs to be defended, because as geographer David Harvey reminds us, urban space remains a place of speculation, a generator of income, rather than a living space. In our opinion, the safeguarding of a city for the citizens, of the right to the city, is inimitable. This should be expressed first by the right to decent housing at a cost that is not impossible for most social segments. It is also important to design the city of recreation and leisure in public spaces. In short, there is a need to change the way urban governance is conceived, fostering social participation and more bottom-up decisions. We are, perhaps, aspiring to a utopia, but it is a necessary utopia to build a better city.

Quando o pensador francês Henri Lefebvre escreveu O Direito à Cidade pretendia reivindicar a conservação de espaços de convívio para a cidadania nos âmbitos urbanos face à desumanização que implicara tanto o funcionalismo arquitectónico como a especulação imobiliária. No presente, esta aposta simples por um desenho humano da cidade e das metrópoles segue sendo defendido, porque como nos lembra o geógrafo David Harvey, o espaço urbano continua a ser um lugar de especulação, gerador de rendimentos, mais do que um âmbito de vida. Na nossa opinião, a defesa da cidade dos cidadãos, do direito à cidade, é insubstituível. Cumpre expressá-la, desde logo no direito de acesso a habitação digna, sem custos que sejam impossíveis para segmentos sociais importantes. Também importa desenhar a cidade do lazer, do ócio em espaços públicos. Por tudo isto, é necessário que haja mudanças nas formas de conceber o governo urbano, ativando a participação social e mais decisões de baixo para cima. Estamos, quiçá, frente a uma utopia, mas uma utopia necessária para a construção duma cidade melhor.

Moderação | Moderation

JOSÉ ALBERTO RIO FERNANDES, Geógrafo, Catedrático da FLUP, Membro da Direção do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território e Presidente da Associação Portuguesa de Geógrafos | Geographer, Professor at FLUP, Member of the Board of the Centre of Studies in Geography and Spatial Planning and President of the Portuguese Association of Geographers

Segunda-feira, 09 dezembro | Monday,09th December 2019 | 18h30

Manuel C. Fernandes

“DIREITO À CIDADE” E CIDADANIA | “THE RIGHT TO THE CITY” AND CITIZENSHIP

Enquanto a cidade que temos não der o salto para a cidade que queremos ter, o “direito à cidade” não passa duma figura retórica.

A cidade é, do ponto vista dos direitos, um espaço onde todos se querem refugiar, mas onde todos se isolam e de onde os mais frágeis dissintam.

A cidade “da lei dos mercados” que hoje temos é pouco mais do que um tabuleiro em que, no essencial, se dispõem pedras viciadas para jogar um jogo de “valores” que, antes do mais, são financeiros (fundiários e imobiliários) e só depois humanos e sociais.

Habitar a cidade não se esgota no direito ao mais básico dos direitos que é o “direito” ao abrigo essencial - a “cabana primitiva” - mas, antes e ao contrário, o direito a vivê-la sem sujeições ou condicionamentos que colidam com a cidadania.

O “direito à cidade” está intimamente ligado ao “direito à habitação”, mas não se esgota nele pois também este não se esgota no “direito ao lugar” que só existe quando existem os valores da vizinhança e da cidadania.

As long as the city we have does not become the city we want to have, the “right to the city” is just a rhetorical figure.

From the viewpoint of rights, the city is a place where everyone wants to take refuge, but where everyone becomes isolated and from where the weakest dissent.

The city based on the “market laws” of today is little more than a board on which, in essence, stones are placed to play a set of “values” that are primarily financial (property and real estate) and only afterwards human and social.

Inhabiting the city is not restricted to the right to the most basic of rights, which is the “right” to essential shelter - the “primitive hut” - but rather, quite the opposite, it is the right to live and experience the city without subjections or constraints that clash with citizenship.

The “right to the city” is closely linked to the “right to housing”, but it is not restricted to this conception much as it is not restricted to the “right to place” that only exists when there are values of neighbourliness and citizenship.

Moderação | Moderation

PAULA CRISTINA PEREIRA, Instituto de Filosofia/FLUP | Institute of Philosophy/ Faculty of Arts and Humanities, University of Porto

Organização | Organization

RG Philosophy and Public Space - Instituto de Filosofia da Universidade do Porto UI&D/FIL/00502 - Coordenação | Coordination

CEGOT - Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território

CETAPS - Centre for English, Translation, and Anglo-Portuguese Studies

CITCEM - Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória»

ILCML - Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

IS-UP - Instituto de Sociologia da Universidade do Porto

Apoio | Support 

Patrocínio científico | Scientific sponsorship 

Local | Location

CASA COMUM

Universidade do Porto - Reitoria
 

Praça Gomes Teixeira
4099-002 Porto
Portugal

 
 
 
 
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