2019-2020 CICLO INTERNACIONAL DE CONFERÊNCIAS 
2019-2020 INTERNATIONAL CYCLE OF LECTURES 
O DIREITO À CIDADE
Diálogos Interdisciplinares
 
THE RIGHT TO THE CITY
Interdisciplinary Dialogues
Apresentação | Presentation

2019-2020 CICLO INTERNACIONAL DE CONFERÊNCIAS

 

2019-2020 INTERNATIONAL CYCLE OF LECTURES

Num mundo cada vez mais urbano, a cidade é um espaço singular para aferir a visibilidade e a relevância dos problemas provocados pelas rápidas transformações sociais, económicas, tecnológicas, culturais e políticas. Apropriada pela dinâmica neoliberal, a cidade apresenta-se fragmentada, para lá da pluralidade que a constitui, podendo comprometer a coesão social e obrigando a considerar outros modos de participação cívica. 

 

Decorrido meio século desde a publicação de Le Droit à la ville, de Henri Lefebvre, as reivindicações pela recuperação qualitativa da vida urbana, geradas pelo aprofundamento das contradições do modelo da sociedade capitalista, alcançam um especial protagonismo no âmbito da defesa do direito à cidade. A disposição espacial da produção e da riqueza, as privatizações, a vigilância biopolítica, os fluxos migratórios e a mobilidade, a urbanização generalizada, o turismo e a gentrificação, as alterações climáticas, a pobreza, a habitação e a gestão tecnocrática são alguns fenómenos com um significativo impacto no quadro das representações e das dinâmicas políticas e sociais contemporâneas, induzindo-nos a reequacionar as figuras da urbanidade.

Procura-se, assim, com esta iniciativa, pensar a cidade – lugar privilegiado da edificação do comum na diversidade material e imaterial que lhe é própria – pela cooperação de diferentes abordagens disciplinares que podem contribuir para a reflexão contemporânea em torno da multiplicidade dos fenómenos que metamorfoseiam os espaços e das tensões neles vividas.

In an increasingly urban world, the city is a unique space to gauge the visibility and relevance of the problems brought about by rapid social, economic, technological, cultural and political change. Appropriated by neoliberal dynamics, the city has become fragmented far beyond its constituent pluralism. Social cohesion may thus be compromised, forcing us to consider other modes of civic participation.

 

Half a century after Henri Lefebvre's Le Droit à la Ville was published, the demand for the qualitative recovery of urban life, generated by the growing contradictions of the capitalist society, has come to play a special role in the right to the city. The spatial arrangement of production and wealth, privatisations, bio-political surveillance, migration flows and mobility, widespread urbanisation, tourism and gentrification, climate change, poverty, housing and technocratic management are some of the phenomena that have impacted significantly on contemporary social representations and political dynamics, leading us to rethink the figures of urbanity.

Thus, the aim of this initiative is to think of the city – a privileged place to build the common in all its material and immaterial diversity – through cooperation among different disciplinary approaches that can contribute to contemporary reflection on the multiplicity of phenomena that transform the spaces and the tensions experienced within them.

RG Philosophy and Public Space/ Institute of Philosophy of the University of Porto - UI&D/FIL/00502

 
 

Conferencistas | Lecturers

Segunda-feira, 14 outubro | Monday, 14th October 2019

Sharon Meagher

Vice President for Academic Affairs, Dean of the Faculty, and  Professor of Philosophy at Marymount Manhattan College, New York, NY, USA.
Co-founder and co-chair of the Public Philosophy Network.

A philosopher by training, Meagher has focused on philosophy of the city, university social responsibility, and global development and sustainability projects.  She is the author of articles on philosophy of the city, urban geography, feminist theory and practice, and ethics and edited the first reader on philosophy of the city.  Her edited volumes include: Handbook on Philosophy and the City, London:  Routledge, 2020, co-edited with Joseph Biehl and Samantha Noll; Philosophy and the City: Classic to Contemporary Writings, State University of New York Press, 2008; Women and Children First: Feminism, Rhetoric, and Public Policy, ed., State University of New York Press, 2005.

In her scholarly work, her teaching, and in her administrative roles, Meagher has been an advocate for the support and inclusion of students and faculty from under-represented groups.  Her research and teaching on philosophy of the city has focused on social justice issues, including understanding the disparate impacts of globalization and various social and economic urban policies on various populations.  An expert on place-based education, Meagher’s focus has been on the ways that we must be attentive to difference and inclusion in community-based teaching and service.  Her work on creative placemaking projects have focused on building community and conditions for civil discourse through the arts.  She also has engaged in consulting and faculty development work on inclusion and feminist pedagogy both in the U.S. and in Rwanda.

Prior to serving in her current role, Meagher served as the Dean of the College of Arts & Sciences and Professor of Humanities at Widener University in Chester, Pennsylvania, USA, 2014-2017. She began her career at The University of Scranton (Pennsylvania, USA), serving in her last seven years there as Professor of Philosophy and Chair of the Department of Latin American Studies.

Filósofa de formação, Meagher interessa-se pela filosofia da cidade, pela responsabilidade social da universidade e por projetos globais de desenvolvimento e sustentabilidade. É autora de artigos sobre filosofia da cidade, geografia urbana, teoria e prática feministas e ética e editou a primeira antologia sobre filosofia da cidade. Os seus volumes editados incluem: Handbook on Philosophy and the City, Londres: Routledge, 2020, coeditado com Joseph Biehl e Samantha Noll; Philosophy and the City: Classic to Contemporary Writings, State University of New York Press, 2008; Women and Children First: Feminism, Rhetoric, and Public Policy, ed., State University of New York Press, 2005.  

No seu trabalho académico, docente e administrativo, Meagher tem sido uma defensora do apoio e da inclusão de estudantes e professores de grupos sub-representados. A sua investigação e ensino da filosofia da cidade concentram-se em questões de justiça social, incluindo a compreensão dos impactos díspares que a globalização e as várias políticas urbanas sociais e económicas têm em várias populações. Especialista em educação em contexto local, Sharon Meagher centra-se nas formas como devemos todos estar atentos às diferenças e à inclusão no ensino e serviços à comunidade. O seu trabalho em projetos de criação e organização de espaços remete para a construção de comunidades e de condições para um discurso civil através das artes. Também se envolve em trabalhos de consultoria e de desenvolvimento de pessoal docente para a inclusão e pedagogia feminista nos EUA e no Ruanda.

Antes de ocupar o seu cargo atual, Meagher desempenhou funções como Diretora da Faculdade de Artes e Ciências e Professora de Ciências Humanas na Widener University em Chester, Pensilvânia, EUA, 2014-2017. Iniciou a sua carreira na Universidade de Scranton (Pensilvânia, EUA), e nos últimos sete anos que aí leccionou foi Professora de Filosofia e Presidente do Departamento de Estudos Latino-Americanos.

Segunda-feira, 18 novembro | Monday, 18th November 2019

 

Rubén Lois 

Professor Catedrático de Geografia e Diretor do Departamento de Geografia na Universidade de Santiago de Compostela.

Membro da direção da Associação de Geógrafos de Espanha e Vice-presidente da União Geográfica Internacional.
 

Rubén Lois nasceu em 1961 e é natural de Palas de Rei (Lugo, Galiza). Professor Catedrático de Geografia e Diretor do Departamento de Geografia na Universidade de Santiago de Compostela. Membro da direção da Associação de Geógrafos de Espanha e Vice-presidente da União Geográfica Internacional. Foi diretor da Fundação CEER (2013-2017), presidida pelos reitores da universidades de Norte de Portugal e Galiza e Secretário Geral do Turismo do Governo da Galiza.

Coordenou e participou em dezenas de projetos de investigação internacionais. Dirigiu:

- Economic Instruments for territorial administration of the local development in Senegal, Cape Verde and Mali, in the call PCI, funded by the Spanish Agency for Development Cooperation (AECI) (2011-2012).

- System of indicators for the analysis of urban dynamics in Spain at the beginning of XXI century [URBMETRO21]. CSO2010-16298. Ministry of Science and Education, Ministry of Research, Directorate General for Research and Management of National R + D + i; Directorate General of Projects and Research.

- SIESTA (Spatial Indicators for a Territorial Analysis Europe 2020 Strategy) initiative within the ESPON Programme 2013 (The European Observation Network on Territorial Development and Cohesion).

É autor, co-autor ou organizador de cerca de 300 artigos, livros e partes de livros sobre temas geográfico diversos, sendo considerado especialista nos domínios da geografia urbana, regional, económica e cultural.

Rubén Lois was born in 1961 in Palas de Rei (Lugo, Galicia). Professor in Geography and Director of the Department of Geography at the University of Santiago de Compostela. Board member of the Association of Geographers of Spain and Vice-President of the International Geographical Union. He was director of the Fundação CEER [CEER Foundation] (2013-2017), chaired by the rectors of the universities of Northern Portugal and Galicia, and Secretary General of Tourism of the Government of Galicia.

He has coordinated and participated in dozens of international research projects, having led:

- Economic Instruments for territorial administration of the local development in Senegal, Cape Verde and Mali, in the call PCI, funded by the Spanish Agency for Development Cooperation (AECI) (2011-2012).

- System of indicators for the analysis of urban dynamics in Spain at the beginning of XXI century [URBMETRO21]. CSO2010-16298. Ministry of Science and Education, Ministry of Research, Directorate General for Research and Management of National R + D + i; Directorate General of Projects and Research.

- SIESTA (Spatial Indicators for a Territorial Analysis Europe 2020 Strategy) initiative within the ESPON Programme 2013 (The European Observation Network on Territorial Development and Cohesion).

He is the author, co-author or organizer of some 300 articles, books and parts of books on diverse geographical subjects, and is considered an expert in the fields of urban, regional, economic and cultural geography.

Segunda-feira, 09 dezembro | Monday, 09th December 2019

Manuel Correia Fernandes

Arquiteto.

Professor Catedrático, Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.

Vereador do Urbanismo da Câmara Municipal do Porto entre 2013 e 2017.

Manuel C. Fernandes nasceu em 1941. Licenciou-se em Arquitetura pela ESBAP em 1966, onde inicia a carreira docente em 1972. Foi membro e presidente eleito dos Conselhos Directivo, Científico e Pedagógico e da Assembleia de Representantes da ESBAP e da FAUP e da Assembleia e do Senado da UP. Foi Director do Curso de Mestrado MIPA da FAUP e Professor de cursos de Mestrado e Pós-graduação da FEUP e da FEP e dos Cursos de Verão da AURN. Foi Presidente da Assembleia Geral, do Conselho de Disciplina e do Congresso da Ordem dos Arquitectos e dirigente da Associação dos Arquitectos Portugueses. Membro do Conselho Editorial da Editora da UP e da FA-UTL. Autor de trabalhos publicados em livros, revistas e jornais da especialidade e colaborador regular da imprensa diária. Foi membro da Comissão Executiva do Conselho de Administração da Porto 2001. Nomeado para o Prémio de Arquitectura na III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian de 1986 e para o Prémio Secil em 1992. Prémio Nacional de Arquitectura da AAP em 1987. Prémio Nacional do Prémio INH em 1993 e 2003 e Menção Honrosa em 2002. Prémio Extraordinário Belaunde Terry da IV Bienal Ibero-Americana de Arquitectura em 2004 (Lima/Perú). Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública (2005).

Exerce, no Porto e ininterruptamente desde 1966, a profissão de arquitecto em regime livre.

Vereador da Câmara Municipal do Porto entre 2009 e 2017 (tendo exercido as funções de Vereador do Urbanismo entre 2013 e 2017).

Manuel C. Fernandes was born in 1941 and obtained a degree in architecture from College of Fine Arts of Porto (ESBAP) in 1966, where he began his teaching career in 1972. He was a member and elected president of the Board of Directors, the Scientific and Pedagogical Councils and the Assembly of Representatives at both ESBAP and FAUP, and an elected member of the University of Porto’s General Assembly and Senate. He was Director of the MIPA Masters Course at FAUP and lecturer of Masters and Postgraduate courses at the Faculties of Engineering (FEUP) and of Economics (FEP) of University of Porto, as well as of the AURN Summer Courses (Association of North Region Universities). He was President of the General Assembly, the Disciplinary Council and the Congress of the Order of Architects and director of the Portuguese Architects Association. He is a member of the Editorial Board of the University of Porto’s and the Faculty of Architecture University of Lisbon’s (FA-UTL) Publishing Houses. He is the author of works published in books, magazines and journals and regular contributor to the daily press. He was a member of the Executive Committee of the Board of Directors of Porto 2001 (European Capital of Culture). He was nominated for the Architecture Prize at the Calouste Gulbenkian Foundation's III Fine Arts Exhibition in 1986 and the Secil Prize in 1992. He was awarded the AAP National Architecture Prize in 1987. He was awarded the INH National Prize in 1993 and 2003 and received an Honourable Mention in 2002. He was awarded the Belaunde Terry Extraordinary Prize at the IV Iberian-American Architecture Biennial in 2004 (Lima / Peru). He is a Grand Officer of the Order of Public Instruction (2005).

He has been working in Porto as an independent architect since 1966.

He was City Councillor of Porto between 2009 and 2017 (having served as Urbanism Councillor between 2013 and 2017).

Segunda-feira, 10 fevereiro | Monday, 10th February 2020

João Ferrão

Geógrafo. Investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Membro da Comissão Independente para a Descentralização (Assembleia da República, 2018-19).

JOÃO FERRÃO, Geógrafo, doutorado em Geografia Humana e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Foi docente no departamento de Geografia da Faculdade de Letras de Lisboa (1976-95) e na Universidade Atlântica (1996-2000); Presidente da APDR - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (1987-1990); Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades (2005-9); Membro do Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (2010-13); Pró-reitor da Universidade de Lisboa para a sociedade e comunidades locais (2013-17); Membro da Comissão Independente para a Descentralização (Assembleia da República, 2018-19).

Publicou, individualmente ou em colaboração, sobre temas relacionados com geografia, ordenamento do território e políticas de desenvolvimento local e regional. Foi coordenador nacional de diversos projetos e redes de investigação internacionais, nomeadamente no âmbito de vários Programas - Quadro da Comissão Europeia e da European Science Foundation. Desenvolveu atividades de consultoria na área da geografia económica e social e do desenvolvimento regional e urbano. Foi consultor da OCDE (Programa de Desenvolvimento Rural, 1993). Coordenou diversos estudos de avaliação de políticas públicas, para o Governo português e para a Comissão Europeia, incluindo a avaliação ex-ante dos Quadros Comunitários de Apoio II e III (Portugal).

JOÃO FERRÃO, geographer, has a Ph.D in Human Geography and is a researcher at the Institute of Social Sciences of the University of Lisbon. Appointments: teacher at the Department of Geography of the Faculty of Arts of Lisbon (1976-95) and at Atlântica University (1996-2000); President of APDR – Portuguese Association for Regional Development (1987-1990); Secretary of State for Spatial Planning and Cities (2005-9); Member of the Scientific Board for Social Sciences and Humanities of the Foundation for Science and Technology (2010-13); Vice-rector of the University of Lisbon for society and local communities (2013-17); Member of the Independent Decentralisation Commission (National Assembly, 2018-19).

He has published works, either alone or as joint author, on topics related to geography, land use planning and local and regional development policies. At national level, he has coordinated various projects and international research networks, including in the framework of various Framework Programmes of the European Commission and of the European Science Foundation. His consultancy services have focused on economic and social geography and regional and urban development. He acted as consultant for the OECD (Rural Development Programme, 1993) and coordinated several public policy evaluation studies, for the Portuguese government and the European Commission, including the ex-ante evaluation of the Community Support Frameworks II and III (Portugal).

Segunda-feira, 15 junho | Monday, 15th June 2020

Francisco Colom González

Research Professor. Institute of Philosophy. 

Spain’s National Research Council (CSIC)

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FRANCISCO COLOM GONZÁLES, é professor titular de investigação no Centro de Ciências Humanas e Sociais do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha (CSIC). Obteve o seu doutoramento em Filosofia (1991) na Universidade Complutense de Madrid e o seu diploma em Ciência Política e Direito Constitucional (1991) no Centro de Estudos Políticos e Constitucionais de Madrid. Realizou estudos de pós-graduação na Universidade Livre de Berlim (Alemanha; 1985-86) e pesquisa pós-doutoramento na Universidade McGill (Montreal, Canadá; 1992). De 1992 a 1994, foi Professor Associado de Sociologia Política na Universidade Pública de Navarra (Pamplona, ​​Espanha). Foi professor visitante e investigador em várias universidades latino-americanas, canadianas e europeias. Durante os anos 2000-2005, foi presidente da Associação Ibero-americana de Filosofia Política e, entre 1998 e 2006, Vice-Diretor do Instituto de Filosofia da CSIC. Foi presidente da Associação Espanhola de Estudos Canadenses / Associação Espagnole d'Études Canadiennes. Seu trabalho trata principalmente das relações normativas entre cultura, identidade política e mudança social. Mais recentemente, seus interesses de pesquisa voltaram-se para o estudo de espaços políticos e teoria urbana.

FRANCISCO COLOM GONZÁLES, Professor of Research (tenured) of the Centre for Humanities and Social Sciences at the Spanish National Research Council (CSIC). He obtained his Ph. D. in Philosophy (1991) at the Universidad Complutense, in Madrid, and his Diploma in Political Science and Constitutional Law (1991) at the Centre for Political and Constitutional Studies, Madrid. He undertook post-graduate studies at the Free University of Berlin (Germany; 1985-86) and postdoctoral research at McGill University (Montreal, Canada; 1992). From 1992 until 1994 he was Associate Professor of Political Sociology at the Public University of Navarre (Pamplona, Spain). He has also been visiting professor and research visitor in several Latin-American, Canadian and European universities. During the years 2000-2005 he was the president of the Ibero-American Association of Political Philosophy, and between 1998 and 2006 the Vicedirector of the Institute of Philosophy of the CSIC. He has also been the president of the Spanish Association for Canadian Studies/Association Espagnole d’Études Canadiennes. His work has mainly dealt with the normative relations between culture, political identity and social change. More recently, his research interests have turned towards the study of political spaces and urban theory. 

Segunda-feira, 12 outubro | Monday, 12th October 2020

Francisco García García

Professor of Audiovisual Communication and Advertising at the School of Information Sciences of the Complutense University of Madrid (UCM). Director of the UCM research group SOCMEDIA.

FRANCISCO GARCÍA GARCÍA tem doutoramento em Ciências da Informação. É Professor Catedrático de Comunicação Audiovisual e Publicidade na Escola de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madrid (UCM) desde fevereiro de 1995. É Professor de Narrativa Audiovisual, Retórica Audiovisual, Métodos de Criatividade e História dos Meios Audiovisuais. Diretor do Programa de Doutorado em Técnicas e Processos de Criação de Imagens (UCM). Diretor do grupo de pesquisa SOCMEDIA da UCM. Editor das revistas científicas indexadas Icono 14 e Prisma Social. Diretor do Centro Nacional de Informação e Comunicação Educacional do Ministério da Educação, Cultura e Desporto de Espanha. Membro da Academia Espanhola de Artes e Ciências Televisivas desde 2000. Investigador principal em vários projectos de investigação financiados pelo Ministério da Inovação e Ciência de Espanha, o mais recente intitulado OPEN DATA CITIZEN.

FRANCISCO GARCÍA GARCÍA, is Ph.D. in Information Sciences. Full Professor of Audiovisual Communication and Advertising at the School of Information Sciences of the Complutense University of Madrid (UCM) since February, 1995. Professor of Audiovisual Narrative, Audiovisual Rhetoric, Methods of Creativity and History of Audiovisual Media. Director of the Doctoral Program in Techniques and Processes in the Creation of Images (UCM). Director of the UCM research group SOCMEDIA. Editor of the indexed scientific journals Icono 14 and Prisma Social. Director of the National Center for Educational Information & Communication of Spain’s Ministry of Education, Culture, and Sports. Member of the Spanish Academy of Television Arts & Sciences since 2000. Principal researcher in several research projects funded by Spain’s Ministry of Innovation & Science, the latest one entitled OPEN DATA CITIZEN.

Sexta-feira, 20 novembro | Friday, 20th November 2020

José Meirinhos

Professor de Filosofia Medieval. Diretor do Departamento de Filosofia da FLUP. Membro do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto.

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JOSÉ MEIRINHOS é Professor de Filosofia Medieval na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Diretor do Departamento de Filosofia e investigador do Instituto de Filosofia onde dirige a linha temática em “Filosofia da Idade Média e do início da Idade Moderna”. Presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia (2017-) e da Sociedad [Ibérica] de Filosofía Medieval (2016-). Autor e editor de várias obras individuais e coletivas.

Interessa-se pelos impactos do conhecimento na sociedade, Filosofia Medieval e do início da Idade Moderna e, sobretudo por questões de antropologia e teoria do conhecimento, política e ética, metafísica e estética.

JOSÉ MEIRINHOS is Professor of Medieval Philosophy at the Faculty of Arts and Humanities of the University of Porto, Director of the Department of Philosophy and researcher of the Institute of Philosophy where he directs the thematic line on “Philosophy of the Middle Ages and early Modern Age”. He is President of the Sociedade Portuguesa de Filosofia [Portuguese Philosophy Society] (since 2017) and of the Sociedad [Ibérica] de Filosofía Medieval [[Iberian] Society of Medieval Philosophy] (since 2016). Author and editor of several individual and collective works.

He is interested in the impacts of knowledge on society, Medieval Philosophy and Philosophy of early Modern Age, and also in questions of anthropology, theory of knowledge, politics and ethics, metaphysics and aesthetics.

Programa | Program

Segunda-feira, 14 outubro | Monday,14th October 2019 | 18h30

Sharon Meagher

CITIES WITHOUT INHABITANTS AND THE ERASURE OF THE RIGHT TO THE CITY | CIDADES SEM HABITANTES E A DISSOLUÇÃO DO DIREITO À CIDADE

In this talk, I will examine the contemporary phenomenon of cities being built speculatively in the hopes of attracting global capital in the race to achieve global city status.  Not all cities achieve global city status, and the result are cities that remain largely empty of inhabitants.  Unlike “ghost towns” that were once lively with inhabitants and then abandoned, these new “ghost cities,” were never inhabited, as the infrastructure (especially iconic skyscrapers) were built at a scale that far exceeded the number of inhabitants.  I will discuss three cases:  Doha, Qatar, Kigali, Rwanda, and New York’s new “city within a city” Hudson Yards.  What happens to claims to the right to the city if there are few inhabitants to claim it? I argue that the dire effects of global cities—particularly these ghost cities—including rising inequalities, dislocations of peoples, growing environmental hazards --demand that philosophers pay attention to what is happening on the ground.  And in doing so, we philosophers might both transform our thinking about philosophical methodology and key concepts while also finding better ways to locate and stop social injustices and enable urban dwellers to claim and realize their rights to the city.

Moderação | Moderation

PAULA CRISTINA PEREIRA, Instituto de Filosofia/FLUP | Institute of Philosophy/ Faculty of Arts and Humanities, University of Porto

Nesta comunicação, procurarei explorar o fenómeno contemporâneo das cidades construídas especulativamente, na esperança de atraírem capital global na corrida para alcançarem o estatuto de cidade global. Nem todas as cidades alcançam o estatuto de cidade global e daqui resultam cidades que permanecem praticamente vazias de habitantes. Ao contrário das “cidades fantasma”, que foram outrora vibrantes e cheias de vida, mas que agora estão desertas e abandonadas, estas novas “cidades fantasma” nunca foram habitadas, pois as suas infraestruturas (especialmente os icónicos arranha-céus) foram construídas a uma escala que excedia em muito o número de residentes. Discutirei três casos: Doha no Qatar, Kigali no Ruanda, e a nova "cidade dentro da cidade" de Nova Iorque, Hudson Yards. O que acontece às reivindicações do direito à cidade se houver poucos habitantes para o reivindicar? O que aqui proponho discutir é que os efeitos terríveis das cidades globais, particularmente dessas cidades fantasma – que incluem as desigualdades crescentes, os deslocamentos de povos e maiores riscos ambientais – exigem aos filósofos que prestem atenção ao que está a acontecer no terreno. E, ao fazer isso, nós filósofos podemos transformar o nosso modo de pensar sobre a metodologia filosófica e os principais conceitos, ao mesmo tempo que descobrimos meios mais adequados de identificação e supressão de injustiças sociais, de modo a permitir que os residentes urbanos possam reivindicar e realizar os seus direitos à cidade.

Segunda-feira, 18 novembro | Monday,18th November 2019 | 21h00

Rubén Lois

A CIDADE PARA TODOS | THE CITY FOR ALL

When the French thinker Henri Lefebvre wrote The Right to the City, he was advocating the need to preserve spaces for social life and citizenship in urban settings, so as to defy the dehumanization that both architectural functionalism and real estate speculation had entailed. Today, this simple demand for a humanized design of the city and the metropolises still needs to be defended, because as geographer David Harvey reminds us, urban space remains a place of speculation, a generator of income, rather than a living space. In our opinion, the safeguarding of a city for the citizens, of the right to the city, is inimitable. This should be expressed first by the right to decent housing at a cost that is not impossible for most social segments. It is also important to design the city of recreation and leisure in public spaces. In short, there is a need to change the way urban governance is conceived, fostering social participation and more bottom-up decisions. We are, perhaps, aspiring to a utopia, but it is a necessary utopia to build a better city.

Quando o pensador francês Henri Lefebvre escreveu O Direito à Cidade pretendia reivindicar a conservação de espaços de convívio para a cidadania nos âmbitos urbanos face à desumanização que implicara tanto o funcionalismo arquitectónico como a especulação imobiliária. No presente, esta aposta simples por um desenho humano da cidade e das metrópoles segue sendo defendido, porque como nos lembra o geógrafo David Harvey, o espaço urbano continua a ser um lugar de especulação, gerador de rendimentos, mais do que um âmbito de vida. Na nossa opinião, a defesa da cidade dos cidadãos, do direito à cidade, é insubstituível. Cumpre expressá-la, desde logo no direito de acesso a habitação digna, sem custos que sejam impossíveis para segmentos sociais importantes. Também importa desenhar a cidade do lazer, do ócio em espaços públicos. Por tudo isto, é necessário que haja mudanças nas formas de conceber o governo urbano, ativando a participação social e mais decisões de baixo para cima. Estamos, quiçá, frente a uma utopia, mas uma utopia necessária para a construção duma cidade melhor.

Moderação | Moderation

JOSÉ ALBERTO RIO FERNANDES, Geógrafo, Catedrático da FLUP, Membro da Direção do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território e Presidente da Associação Portuguesa de Geógrafos | Geographer, Professor at FLUP, Member of the Board of the Centre of Studies in Geography and Spatial Planning and President of the Portuguese Association of Geographers

Segunda-feira, 09 dezembro | Monday,09th December 2019 | 18h30

Manuel C. Fernandes

“DIREITO À CIDADE” E CIDADANIA “THE RIGHT TO THE CITY” AND CITIZENSHIP

Enquanto a cidade que temos não der o salto para a cidade que queremos ter, o “direito à cidade” não passa duma figura retórica.

A cidade é, do ponto vista dos direitos, um espaço onde todos se querem refugiar, mas onde todos se isolam e de onde os mais frágeis dissintam.

A cidade “da lei dos mercados” que hoje temos é pouco mais do que um tabuleiro em que, no essencial, se dispõem pedras viciadas para jogar um jogo de “valores” que, antes do mais, são financeiros (fundiários e imobiliários) e só depois humanos e sociais.

Habitar a cidade não se esgota no direito ao mais básico dos direitos que é o “direito” ao abrigo essencial - a “cabana primitiva” - mas, antes e ao contrário, o direito a vivê-la sem sujeições ou condicionamentos que colidam com a cidadania.

O “direito à cidade” está intimamente ligado ao “direito à habitação”, mas não se esgota nele pois também este não se esgota no “direito ao lugar” que só existe quando existem os valores da vizinhança e da cidadania.

As long as the city we have does not become the city we want to have, the “right to the city” is just a rhetorical figure.

From the viewpoint of rights, the city is a place where everyone wants to take refuge, but where everyone becomes isolated and from where the weakest dissent.

The city based on the “market laws” of today is little more than a board on which, in essence, stones are placed to play a set of “values” that are primarily financial (property and real estate) and only afterwards human and social.

Inhabiting the city is not restricted to the right to the most basic of rights, which is the “right” to essential shelter - the “primitive hut” - but rather, quite the opposite, it is the right to live and experience the city without subjections or constraints that clash with citizenship.

The “right to the city” is closely linked to the “right to housing”, but it is not restricted to this conception much as it is not restricted to the “right to place” that only exists when there are values of neighbourliness and citizenship.

Moderação | Moderation

PAULA CRISTINA PEREIRA, Instituto de Filosofia/FLUP | Institute of Philosophy/ Faculty of Arts and Humanities, University of Porto

Segunda-feira, 10 fevereiro | Monday, 10th February 2020 | 21h00

João Ferrão

DIREITO À CIDADE E JUSTIÇA ESPACIAL | THE RIGHT TO THE CITY AND SPATIAL JUSTICE

Mais de 50 anos após a sua publicação, o livro Le Droit à la Ville, de Henri Lefebvre (1968), permanece como um referencial relevante para pensarmos o futuro das cidades. Após uma breve reconstituição da influência desta obra nas agendas académica (teoria crítica urbana) e política (dos direitos na cidade ao direito à cidade), propõe-se o conceito de justiça espacial como princípio orientador em planeamento e como elemento capaz de federar distintas perspetivas transformadoras em torno de um mesmo projeto de cidade.

More than 50 years after it was published, the book Le Droit à la Ville, by Henri Lefebvre (1968), continues to be relevant when considering the future role of cities. After briefly retracing the influence of this work on the academic agenda (urban critical theory) and political agenda (from the rights within the city to the right to the city), the proposition is to take the concept of spatial justice as the guiding principle in planning matters and as an element able to unite the distinct transformative perspectives around a project for the city.

Moderação | Moderation

TERESA SÁ MARQUES, Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território/FLUP | Centre of Studies in Geography and Spatial Planning/ Faculty of Arts and Humanities, University of Porto

Segunda-feira, 15 junho | Monday, 15th June 2020 | 17h00

Francisco Colom González

THE CITY AS A NORMATIVE SPACE, FROM POLIS TO THE RADIANT CITY A CIDADE COMO ESPAÇO NORMATIVO, DA POLIS À CIDADE RADIANTE

ONLINE LECTURE

Link for the Zoom meeting available by request.

Western philosophy was not only born in the city but the city itself has been one of its very early concerns. For Aristotle, for instance, the aim of the polis was to facilitate the pursue of the ‘good life’, that is, to fulfill the potential of human nature. Civilized life was therefore equivalent to life in the polis. The ideal size of a polis should be such that it allowed for the personal interaction of all the citizens, in order for them to garner an opinion on the civic virtue of the magistratures. Conversely, large polities were typical of barbarian, despotic societies, such as the Persians. This is just an example of how urban discourse has been, to a certain extent, a normative discourse. The discussion on the city has been a debate on the ‘good city’: the godly city in early Christianism, the ideal city during the Renaissance, and the liveable, smart or sustainable city since the industrial revolution up to our times. Urbanism has been a permanent quest for creating coherence between the physical proportions of the city and the type of human relations that it fosters. With the rise of industrialization in the nineteenth century, the concern with the esthetic and political qualities of the city was substituted by the study of the urban impact of modernity. After the Second World War, the modernist/functionalist movement in urban design finally set aside the humanist background that had accompanied it for centuries. Le Corbusier’s new notion of the ‘radiant city’, for instance, was a ‘machine for living in’. The aim of the new modernist doctrine was to respond readily to the urgent need for urban reconstruction created by the war. The alleged solution was to increase the density and efficiency of the city. Behind this idea there was also a deeper vision of modernization as a process of social homogenization induced through the geometric organisation of the built environment. This move, in turn, produced since the 1960s, a reaction against the ‘death’ of modern cities, in particular American cities, as Jane Jacobs famously denounced. This lecture will try to explain the theoretical itineraries that have placed the city and the urban dimension in general at the centre stage of contemporary social and political philosophy.

A filosofia ocidental não nasceu apenas na cidade, mas a cidade tem sido, desde o início, uma das suas preocupações. Para Aristóteles, por exemplo, o objetivo da polis era facilitar a busca da “vida boa”, ou seja, realizar o potencial da natureza humana. A vida civilizada era, portanto, equivalente à vida na polis. O tamanho ideal de uma polis deveria ser tal que permitisse a interação pessoal de todos os cidadãos, a fim de obter uma opinião sobre a virtude cívica das magistraturas. Por outro lado, as grandes organizações políticas eram típicas de sociedades bárbaras e despóticas, como os persas. Este é apenas um exemplo de como o discurso urbano tem sido, em certa medida, um discurso normativo. A discussão sobre a cidade tem sido um debate sobre a “cidade boa”: a cidade piedosa do cristianismo primitivo, a cidade ideal durante o Renascimento e a cidade habitável, inteligente ou sustentável desde a revolução industrial até os nossos dias. O urbanismo tem sido uma busca permanente pela criação de coerência entre as proporções físicas da cidade e o tipo de relações humanas que ela promove. Com o surgimento da industrialização no século XIX, a preocupação com as qualidades estéticas e políticas da cidade foi substituída pelo estudo do impacto urbano da modernidade. Após a Segunda Guerra Mundial, o movimento modernista/funcionalista do design urbano deixou de lado o contexto humanista que o acompanhava há séculos. A nova noção de "cidade radiante" de Le Corbusier, por exemplo, era a de uma "máquina para morar". O objetivo da nova doutrina modernista era responder à necessidade urgente de reconstrução urbana criada pela guerra. A solução passava por aumentar a densidade e a eficiência da cidade. Por trás dessa ideia estava uma visão mais profunda da modernização como processo de homogeneização social induzido pela organização geométrica do ambiente construído. Esse movimento produziu, desde os anos 1960, uma reação contra a "morte" das cidades modernas, em particular das cidades americanas, como Jane Jacobs denunciou. Esta conferência tentará explicar os itinerários teóricos que colocaram a cidade e a dimensão urbana em geral no centro da filosofia social e política contemporânea.

Moderação | Moderation

PAULA CRISTINA PEREIRA, Instituto de Filosofia/FLUP | Institute of Philosophy/ Faculty of Arts and Humanities, University of Porto

Segunda-feira, 12 outubro | Monday, 12th outubro 2020 | 19h00

Francisco García García

La razón creativa de las ciudades | The Creative Reason for the City

ONLINE LECTURE

Link for the Zoom meeting available by request at  ifilosofia@letras.up.pt 

A city is creative when it knows how to detect its needs and problems, analyzes them, looks for alternative solutions, determines the most original and appropriate ones, carries them out in a comprehensive and innovative way, and positively evaluates its effectiveness and meaning; a city is creative when it explores and exploits its potentialities and wealth in a flexible way; when it coherently articulates tradition and innovation as inalienable values in its constructive and permanent evolution over time; when its project includes an active past, a dynamically innovative present and a forward-looking memory, a memory of the future that anticipates needs and problems, and generates efficient surprises in unforeseeable models.
Creativity is a transversal value in the origin, development, apogee, crisis, splendour and future of cities. It is so in the space-time realm of cities, in the cultures in which they reside and build: in the initial cities of Mesopotamia, in the city-states, in Greece and Rome, in the Middle Ages, in the Renaissance, Baroque, in the industrial revolution, in modern and contemporary times; in the cultures of Asia, Europe or America, in the city of the future. Significant are also the Eastern, Hebrew, Christian, Mohammedan religious influences. Lewis Mumford clearly says: "The ability to transmit in symbolic forms and human patterns a representative portion of a culture is the great characteristic of the city."
Every city is a living human project, encompassing all areas of life and jobs. The conglomerate of houses founds the neighbourhood, but the creative intelligence oriented to achieve the best for the man founds the city, the citizens are those who make the city as Rousseau says. The utopia of the conquest of happiness is oriented towards a future always in constant tension to reach the best city. Aristotle already said it, “men gather in the city to live, they stay in it to live the good life”

Uma cidade é criativa quando sabe detectar as suas necessidades e problemas, analisá-los, procurar soluções alternativas, determinar as mais originais e adequadas, executá-las de forma abrangente e inovadora e avaliar positivamente a sua eficácia e significado; uma cidade é criativa quando explora e expande as suas potencialidades e riquezas de forma flexível; quando articula de forma coerente a tradição e a inovação como valores inalienáveis ​​da sua evolução construtiva e permanente ao longo do tempo; quando o seu projeto inclui um passado ativo, um presente dinamicamente inovador e uma memória voltada para o futuro, uma memória do futuro que antecipa necessidades e problemas, e gera surpresas eficazes em modelos imprevisíveis. A criatividade é um valor transversal na origem, desenvolvimento, apogeu, crise, esplendor e futuro das cidades. É assim no âmbito do espaço-tempo das cidades, nas culturas em que residem e constroem: nas primeiras cidades da Mesopotâmia, nas cidades-estados, na Grécia e em Roma, na Idade Média, no Renascimento, no Barroco , na revolução industrial, nos tempos modernos e contemporâneos; nas culturas da Ásia, Europa ou América, na cidade do futuro. São também significativas as influências religiosas orientais, hebraicas, cristãs e muçulmanas. Lewis Mumford diz claramente: "A grande característica da cidade é a sua capacidade de transmitir em formas simbólicas e padrões humanos uma porção representativa de uma cultura."

Cada cidade é um projeto humano vivo, abrangendo todas as áreas da vida e do trabalho. O conglomerado de casas funda o bairro, mas a inteligência criativa orientada para alcançar o melhor para o homem funda a cidade. Como diz Rousseau, os cidadãos são aqueles que fazem a cidade. A utopia da conquista da felicidade está orientada para um futuro sempre em constante tensão para chegar à melhor cidade. Aristóteles já disse, “os homens reúnem-se na cidade para viver, ficam nela para viver uma vida boa”.

Moderação | Moderation

HUGO BARREIRA, CITCEM - Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória»/ FLUP | CITCEM - Transdisciplinary Research Centre «Culture, Space and Memory» / Faculty of Arts and Humanities, University of Porto.

Sexta-feira, 20 novembro | Friday, 20th novembro 2020 | 18h30

José Meirinhos

Ironia e violência: o poder de modelar a cidade em Maquiavel e Tomás More | Irony and violence: the power to shape the city in Machiavelli and Thomas More

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Pouco parece unir duas das mais famosas (e sempre pouco conhecidas) obras sobre a ação política escritas com poucos anos de intervalos no início do século XVI e que desde então suscitam contínuas discussões. O florentino Nicolau Maquiavel e o inglês Tomás More eram já experientes diplomatas quando escreveram essas duas obras, a que os seus nomes mais estão associados. Maquiavel tinha sido banido para o campo quando escreveu O Príncipe (c. de 1513, só publicado em 1532), More passaria por provações ainda piores, mas só alguns anos depois de publicar A Utopia (1516). Os dois funcionários de estado refletem sobre situações políticas adversas, com o irreprimível desejo de as subverter. Com instrumentos e estilos diferentes, Maquiavel e More desconstroem a vida política para nela melhor intervir. Com a autópsia irónica das mais variadas formas de corrupção fazem propostas ousadas com essa obsessão perene de quem manda: modelar e impor-se à cidade, para seu bem. Lidas como duas obras de fantasia e sobre as ilusões do poder, O Príncipe e a A Utopia dão-nos hoje a oportunidade de pensar a violência do desenho e da vivência do espaço da cidade. Sempre em nome do poder. Após uma proposta de leitura das duas obras, serão discutidas passagens que possam ajudar a discutir o que é “o direito à cidade”.

It may seem that there isn’t much in the way of binding together two of the most famous (but not correspondingly well-known) works on political action, written only a few years apart in the early sixteenth century, and which have since been the subject of continuous discussion. The Florentine Niccolò Machiavelli and the Englishman Thomas More were already experienced diplomats when they wrote these two works to which their names are most associated. Machiavelli had been banned to the countryside when he wrote The Prince (c. 1513, published only in 1532), and More went through even worse ordeals, but not until a few years after publishing Utopia (1516). The two state officials reflect on adverse political situations with an irrepressible desire to subvert them. Using different resources and styles, Machiavelli and More deconstruct political life to better intervene in it. Their ironic autopsy of the most varied forms of corruption sustain bold proposals with the perennial obsession of rulers: to model the city and impose themselves on it, for the latter’s own good. Read as two fantasy works on the illusions of power, The Prince and Utopia provide us today with an opportunity to think about the violence of the design and experience of urban spaces; always in the name of power. After a proposal on how to approach both works, some passages that may help us to better understand what “the right to the city” may be will be discussed.

Moderação | Moderation

FÁTIMA VIEIRA, Vice-Reitora da Universidade do Porto | Vice-Rector of the University of Porto 

Organização | Organization

RG Philosophy and Public Space - Instituto de Filosofia da Universidade do Porto UI&D/FIL/00502 - Coordenação | Coordination

CEGOT - Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território

CETAPS - Centre for English, Translation, and Anglo-Portuguese Studies

CITCEM - Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória»

ILCML - Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

IS-UP - Instituto de Sociologia da Universidade do Porto

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